Terroir

Dentro de Mendoza é possível identificar diversas regiões para o cultivo da uva de alta qualidade.
Destacamos e selecionamos duas áreas reconhecidas por suas ótimas condições para as videiras: a chamada Zona Alta do Rio Mendoza e o Vale de Uco.

Luján de Cuyo

Conhecida historicamente como a primeira zona para o cultivo da videira em Mendoza. Su altura elevada em combinação con um clima semi-desértico e solos pedregosos baixos em nutrientes, brinda as condições ideais para o cultivo de videiras de alta qualidade. O percurso do rio Mendoza confere identidade à região, determinando a formação dos solos e das áreas produtivas.

Aqui se encontram alguns distritos destacados na atividade vitivinícola, como Agrelo, Cruz de Piedra, Las Compuertas, Lunlunta, Perdriel e Vistalba. A altitude varia entre 800 e 1.100 m.a.n.m., com um clima de temperado a frio, que permite um ótimo amadurecimento das uvas. O solo está constituído por sedimentos finos de origem aluvial, e o subsolo possui sedimentos arenosos e limo-argilosos.

Valle de Uco

Este vale surpreende por sua magnífica paisagem e pela localização privilegiada, aos pés da Cordilheira dos Andes. Está irrigado pelas águas do rio Tunuyán, sendo um verdadeiro oásis produtivo.

Abrange os municípios de Tunuyán, Tupungato e San Carlos, dentro dos quais se destacam os distritos de Los Chacayes, Altamira, El Peral, Gualtallary, La Consulta, Los Árboles, Vila Bastias e Vila Seca. A altitude varia entre 900 e 1.400 m.a.n.m. e conta com uma grande amplitude térmica. Os invernos são rigorosos e a temperatura média é geralmente mais baixa que no centro da província. Os solos são de origem aluvial, com grande presença de pedras, tipo seixo rolado, de vários tamanhos.

Mendoza se caracteriza por ser uma região semidesértica e de altitude, e seu clima está definido pela Cordilheira dos Andes. Ela também é o fator determinante da baixa umidade, pois bloqueia as correntes de ar úmido que vêm do Oceano Pacífico. Seu clima é temperado e principalmente seco, com dias ensolarados em todas as estações, contando com mais de 300 dias de sol por ano.

As precipitações anuais variam de 150 a 220 mm e são mais frequentes na primavera e no verão. No inverno, as chuvas podem originar nevadas leves nas áreas mais baixas, e fortes nevadas na alta montanha.

As condições climáticas -amplitude térmica e baixa umidade relativa- são muito favoráveis para a cultura da videira, pois permitem um ótimo amadurecimento dos grãos, com grande sanidade natural.

Os solos de Mendoza foram originados principalmente pela desintegração e pela decomposição das rochas e dos minerais da cordilheira que foram levados pela ação do vento e da água dos rios.

Próximo dos grandes rios, predominam os solos aluviais nas áreas cultivadas mais altas e com pendentes mais pronunciadas, e os solos alúvio-lacustres nas áreas mais afastadas da cordilheira e com relevo menos acentuado.

Existe uma grande heterogeneidade de texturas nos solos, ainda em distâncias bem curtas, podendo variar o perfil do solo de arenoso a limo-argiloso em poucos metros, ou encontrar rochas superficiais em contraste com rochas de maior profundidade em escavações realizadas com proximidade. A presença de pedras é notável, mais na base da cordilheira do que em direção à cidade. Há grande quantidade de seixos rolados de tamanho variável e depósitos de carbonato de cálcio (calcário).

A principal fonte de água para a irrigação é o degelo, água pura de montanha que se distribui através de um milenar e inteligente sistema de canais (inclusive chegam até a cidade, onde são chamados de ‘acequias’) projetados pelos povos ancestrais da região, os Huarpes. Dependendo do horário autorizado para irrigar, é possível utilizar imediatamente a água para irrigação superficial ou  armazená-la em reservatórios para seu uso posterior, podendo controlar a quantidade e a frequência da água conforme o momento fenológico e o critério dos engenheiros agrônomos.

Outra fonte de água é a extração dos rios subterrâneos através de poços.